Revista Página22 :: ed. 54 (julho/2011)

Na esquina da política com a sustentabilidade, uma avenida a ocupar
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EDITORIAL - Tanto bate até que fura

"Quem olha o copo e o vê meio cheio reconhece o sucesso do ativismo social e ambiental. Quem o vê meio vazio enxerga a necessidade de revisar o movimento e suas estratégias.” Essas frases foram publicadas por Página22 em setembro de 2008, mas continuam válidas como nunca. Como naquele ano, a discussão sobre o Código Florestal serve nesta edição como “gancho” de reportagem que reedita a conclamação: é hora de o movimento, baqueado por algumas derrotas emblemáticas, reinventar-se. Ele não cabe mais em seu círculo de origem e precisa ganhar status político, na melhor acepção desta palavra. Que ganhe respaldo, representatividade, eficácia, transversalidade, concretude.

De 2008 para cá, insistimos na tecla. Em agosto de 2009, antes que estivessem definidos os nomes do páreo presidencial, mostramos a falta que fazia uma liderança capaz de articular o ativismo socioambiental, os cidadãos, o setor privado e o poder público em torno da construção de um novo modelo de desenvolvimento. E assim mudasse o jeito de fazer política, com a burocracia e a hierarquia de velhas estruturas dando lugar a movimentos em rede, orgânicos, dinâmicos, poderosos.

Em setembro de 2010, voltamos à carga, visualizando a emergência de uma democracia em rede (digital, inclusive) capaz de quebrar essas estruturas e renovar a política em forma e conteúdo. Na edição de 2008, havíamos usado a figura de linguagem da roupa que fica pequena demais para a criança que cresce. A crise da adolescência parece ter chegado. O movimento da sustentabilidade não cabe em si e pede reforços e articulação. Talvez sinal de que o copo tenha enchido até demais. Refém do próprio sucesso, essa água tende a transbordar e, quem sabe, bater até furar. Boa leitura!

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