Sustentabilidade avança na agenda de cursos para executivos

Pesquisas sobre ação das empresas ajudam a elaborar os planos de ensino 28/04/2016 - Valor Online - Lia Vasconcelos | Para o Valor, de São Paulo
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SUPLEMENTO - ECONOMIA VERDE

 

A economia verde ocupa hoje espaço expressivo na agenda dos centros de estudo em sustentabilidade.  O Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVces) da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP), por exemplo, que completa 13 anos em setembro deste ano, trabalha no desenvolvimento de estratégias, políticas e ferramentas de gestão públicas e empresariais para a sustentabilidade, no âmbito local, nacional e internacional.  

 

Seus programas são orientados por quatro linhas de atuação: formação; pesquisa e produção de conhecimento; articulação e intercâmbio; e mobilização e comunicação.  "O clima, os recursos hídricos e os serviços ecossitêmicos têm sido nossos objetos de pesquisas", conta Mario Monzoni, coordenador geral do Gvces, que funciona como um think tank, uma vez que faz pesquisa aplicada e participa da co-construção de soluções.

 

"Temos nos dedicado bastante a essa fronteira de pesquisa que é pensar nos serviços ecossistêmicos.  Em termos de políticas públicas, avaliamos como a precificação dos incentivos para internalizar externalidades na função dos custos da empresa pode mudar.  E no que diz respeito à gestão empresarial, nos dedicamos a construir métodos de valoração econômica desses serviços", explica Monzoni.

 

O Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais (IVIG), ligado ao Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (COPPE), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) tem cerca de 200 pesquisadores das áreas de energia, biocombustíveis, transportes, infraestrutura, gestão de recursos naturais, análise e gerenciamento de risco, entre outras.  Destacam-se, dentre as pesquisas e os projetos desenvolvidos, os relativos a produção e uso eficiente de energia, cujo objetivo é reduzir possíveis impactos ambientais e riscos do uso indevido de tecnologias.

 

"As melhorias na infraestrutura no país abrem espaço para o emprego de tecnologias renováveis como, por exemplo, a energia solar iluminando rodovias", diz Marcos Freitas, coordenador do IVIG.  Segundo ele, os resíduos - sólidos e líquidos - são um tema-chave.  "O tratamento no Brasil ainda é muito incipiente e os conhecimentos nessa área precisam ser aprofundados".

 

Mudanças climáticas, sustentabilidade da cadeia, redução de emissão de gases de efeito-estufa, influência da gestão de sustentabilidade no potencial exportador das empresas e técnicas mais modernas para a elaboracão de políticas de sustentabilidade são alguns dos temas sobre os quais o programa de gestão estratégica socioambiental (Progesa) da Fundação Instituto de Administração (FIA) tem se debruçado.  "Não temos um projeto de pesquisa específico, mas trabalhos de alunos que se vinculam ao Progesa.  Temos observado um crescente interesse pela gestão empresarial da sustentabilidade", afirma Isak Kruglianskas, coordenador do núcleo.

 

"Nossa estratégia de pesquisa é identificar os próximos grandes temas para já nos adiantarmos e prepararmos conteúdo para compartilhar boas práticas e avaliar o que está acontecendo de bom em gestão de sustentabilidade no que diz respeito à água, energia, governança corporativa.  Essa fotografia de como estão as empresas serve para elaborar um plano de ação para orientar melhorias", explica Heiko Spitezeck, coordenador do núcleo de sustentabilidade da Fundação Dom Cabral (FDC).

 

O Futuro da Sustentabilidade Corporativa no Brasil e Mudanças Climáticas são dois exemplos de pesquisas bianuais feitas pelo núcleo.  "Geramos inteligência de mercado", diz Spitezeck, para quem seria importante que os centros de estudo trabalhassem mais juntos para gerar um ecossistema de sustentabilidade.  "Uma maior integração é um grande desafio", acredita.